Grupo Político invade Hospital e Constrage pacientes
Por Radar64

EUNÁPOLIS -Pacientes e direção do Hospital Geral de Eunápolis denunciam invasão à unidade hospitalar, no fim da tarde de sexta-feira (15), por políticos, com seus repórteres e cinegrafistas. Entre os integrantes do grupo, o deputado federal João Almeida (PSDB) e o Vereador Normando Torres (PSC). Os pacientes alegam que tiveram suas privacidades invadidas, porque foram fotografados e filmados, em seus leitos, com trajes íntimos, enquanto tomavam banho. Havia até mulheres em trabalho de parto. Além disso, foram obrigados a dar entrevistas.
O segurança do HGE, Gilvan Oliveira Santos, contou que as visitas já tinham sido encerradas quando o deputado João Almeida e o vereador Normando pediram para entrar, apresentando ainda o ex-prefeito Paulo Dapé, o radialista Jota Batista e o ex-vereador Demir Lima como seus assessores. Normando teria dito que estava a serviço da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, o que não foi confirmado pela presidente Carmen Lúcia.
Dona Zelita Nascimento, 54 anos, internada há 15 dias com graves problemas respiratórios, disse que tinha acabado de sair do balão de oxigênio, depois de mais uma crise, quando avistou a “muvuca” na enfermaria, onde dezenas de pacientes, entre eles idosos, estavam se recuperando. "Eles chegaram nos filmando e nos fotografando. Tentei me proteger, pois os meus trajes não eram adequados, mas Paulo Dapé veio em minha direção, segurou minha cabeça e me forçou a olhar para a câmera e falar se a saúde estava péssima", denuncia.
Zelita falou que ficou nervosa e começou a passar mal, porque sua pressão arterial subiu, mas mesmo assim ainda respondeu que ele não poderia ficar lá em cima, roendo a corda, porque no seu governo o HGE chegou a ficar fechado por seis meses. "Eu poderia ter morrido", diz. Ainda de acordo com ela, Jota Batista veio agachado, olhando por debaixo das camas, assustando ainda mais os enfermos.
Jaqueline da Silva, coordenadora administrativa do hospital, disse que o grupo desrespeitou as normas do HGE, não levando em consideração a privacidade dos pacientes, pois chegaram em momento inadequado. "Se eles tivessem nos comunicado que fariam a visita, teríamos feito a programação, mas o momento não era aquele", falou.
O paciente Arlindo Mota questionou porque o deputado João Almeida não veio à cidade fiscalizar as obras da Vila Olímpica e da duplicação da BR-101, indicadas por ele, e que tiveram as verbas desviadas e não foram concluídas no governo de Paulo Dapé.

Edna Alves, diretora administrativa do HGE
Foto: Reprodução/TV RADAR64 http://www.jornalradar.com/arquivos/galerias/2009/maio/18/hge_in_edna.jpg
A diretora administrativa do hospital, Edna Alves, falou que a invasão de privacidade foi uma falta de respeito, porque os pacientes estavam ali precisando de acolhimento. "Pela forma como eles foram expostos, a direção pretende tomar, a começar pelo registro de boletim de ocorrência na delegacia de polícia", assegura.
O assessor de comunicação da Secretaria de Saúde, Jairo Junior, que presenciou parte do episódio, disse que o grupo parecia estar desesperado, querendo mostrar algo que ninguém sabia o que era.
“Só posso atribuir essa reação ao inconformismo com o resultado da última eleição, quando foram derrotados nas urnas pelo atual prefeito Robério Oliveira (PRTB) por uma diferença de quase 10 mil votos”, disse Jairo Junior, adiantando que além da queixa na polícia o hospital vai representar contra todos os invasores na Justiça.
OBRAS DO HGE - O Hospital Geral de Eunápolis funciona hoje, provisoriamente, nas instalações do Ames, já que as obras de reforma e ampliação, no bairro Pequi, iniciadas em janeiro de 2006, ainda não foram concluídas, pois o governador Jaques Wagner suspendeu as verbas assim que assumiu o governo, não honrando sua contrapartida na parceria com o município.
Questionada sobre o problema, Edna Alves informou que a previsão é que parte do projeto, tocado com recursos municipais, e da Veracel Celulose, por meio de convênio, deve ficar pronto ainda este ano. "Serão 100 leitos, com três centros cirúrgicos, um centro cirúrgico apropriado para obstetrícia, e prontos socorros", frisa. Edna lembra que mesmo atendendo em espaço provisório, a população não foi penalizada, e continua tendo atendimento, acrescentando que o HGE atende moradores de toda a região, numa média de 300 por dia.
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